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ALGUMAS EVIDÊNCIAS HISTÓRICAS DA SUPERSINCRONICIDADE – IBÉRIA E ESCANDINÁVIA, ROMÊNIA E ISLÂNDIA

Sincronicidades entre a Ibéria e a Escandinávia

Além do fato já mencionado de que as duas penínsulas têm uma grande similaridade geográfica, projetando-se a oeste para o Atlântico e sendo ocupadas por dois Estados, dos quais um se limita à borda ocidental da península, a Ibéria e a Escandinávia têm muito em comum em termos de história e composição étnica.

Ambas as penínsulas abrigam quatro populações básicas (cinco, se considerarmos que uma delas se divide em dois subgrupos). A Ibéria é formada por espanhóis (também chamados de castelhanos), catalães, portugueses, galegos e bascos (euskara em sua própria língua), estes últimos de origem não indo-europeia e já presentes na Península Ibérica muito antes da chegada dos romanos. Os galegos e os portugueses são praticamente o mesmo povo, tanto que o galego (ou galaico-português) não é senão um dialeto do português fortemente influenciado pelo espanhol. Aliás, galegos, catalães e bascos são bilíngues, pois falam também o espanhol.

Similarmente, a Escandinávia é formada por suecos, dinamarqueses, noruegueses, neonoruegueses e lapões (sami em sua língua nativa), povo igualmente não indo-europeu que já se encontrava na região quando os primeiros germanos lá chegaram. Noruegueses e neonoruegueses constituem um só povo (juridicamente falando são todos noruegueses): o que ocorre é que, enquanto 90% da população norueguesa fala apenas o chamado dano-norueguês, ou norueguês bokmål, bastante influenciado pelo dinamarquês, um décimo da população é bilíngue, falando também o neonorueguês ou nynorsk, uma variedade mais legítima e conservadora. Evidentemente, os lapões também são bilíngues, pois sabem falar sueco ou norueguês.

Os cinco povos que compõem cada uma das penínsulas se organizaram politicamente de diversas maneiras ao longo da história.

Divisões políticas da Península Ibérica

No caso ibérico, o Reino de Portugal formou-se em 1143. Os outros dois grandes reinos, Castela (núcleo da Espanha) e Aragão (que incluía a Catalunha), uniram-se em 1492, graças ao casamento de seus monarcas, Isabel e Fernando. O neto do casal, Carlos de Gand, tornou-se em 1516 o primeiro rei da Espanha (ou das Espanhas, como se dizia na época) sob o nome de Carlos I (em 1519, ele se tornaria também Carlos V do Sacro Império). Desde então, o Reino da Espanha congrega as etnias castelhana, catalã, galega e basca, enquanto a etnia portuguesa tem seu próprio território.

Entre 1580 e 1640, houve a União Ibérica, em que Portugal e Espanha constituíram um único reino sob a égide do soberano espanhol. Durante esse período, toda a península constituiu um único Estado. Em 1640, Portugal rompeu a união, voltando a ser um reino independente.

Hoje, a Ibéria é constituída de dois Estados soberanos, Portugal e Espanha, mas este último é, na verdade, uma federação de regiões autônomas e separatistas: a Galícia, que, embora pertença à Espanha, é uma continuação étnica de Portugal; a Catalunha, que perdeu sua independência no século XV, pode em breve reconquistá-la; e o País Basco luta há anos, inclusive por meio do terrorismo, pela sua independência.

Se a Catalunha de fato se tornar independente, a nova configuração da Península Ibérica será tal como mostrado na Figura 2.

Divisões políticas da Escandinávia

A península escandinava também resulta da união histórica de diversos reinos. Até o século XIV, havia os reinos da Suécia, Noruega e Dinamarca (esta, se considerarmos que, embora geograficamente separada pelo mar, faz parte do conjunto histórico chamado Escandinávia). A Noruega perdeu sua independência para a Dinamarca em 1380 (comparem esta data com 1580, data da perda da independência de Portugal para a Espanha); a partir de então, a Escandinávia foi formada por dois Estados: Suécia e Dinamarca-Noruega.

De 1397 a 1523, ocorreu a União de Kalmar, entre a Dinamarca-Noruega e a Suécia, período durante o qual a Escandinávia abrigou um só Estado. A Suécia rompeu a união em 1523 e, portanto, a península voltou a ter dois Estados: Suécia e Reino Unido da Dinamarca e Noruega. Em 1814, a Noruega passou do domínio dinamarquês para o sueco e somente em 1905 se tornou independente.

Portanto, em ambos os casos tínhamos três reinos que, por volta da mesma época (séculos XIV-XV) se converteram em dois. Durante certo tempo, houve uma união dos dois reinos (União Ibérica e União de Kalmar) num único, depois novamente a separação em dois reinos. A única diferença é que a Noruega, com suas duas etnias (dano-noruegueses e neonoruegueses), conquistou a independência há cerca de um século. Mas, se, como dissemos, e os acontecimentos políticos parecem apontar, a Catalunha se tornar independente da Espanha, a simetria entre as duas penínsulas voltará a ficar perfeita, com a ressalva de que a Galícia continuará parte da Espanha e não de Portugal, como seria mais lógico.

A correspondência entre povos e Estados seria a seguinte (Estados não independentes estão em itálico):

Como já mencionamos anteriormente, tanto os povos ibéricos quanto os escandinavos ficaram famosos como navegadores. E, enquanto França, Itália, Alemanha e Grã-Bretanha estão no mesmo patamar de desenvolvimento, a Escandinávia sempre foi considerada a região mais desenvolvida da Europa (e do mundo); inversamente (e isto também é um tipo de simetria), a Ibéria já foi a região mais atrasada. De todo modo, Ibéria e Escandinávia sempre exerceram papel político e cultural periférico em relação às nações centrais (França, Grã-Bretanha, Itália e Alemanha).

Em resumo, temos, além da similaridade geográfica e da tradição marítima, dois conjuntos de povos entre os quais é possível estabelecer a seguinte relação:

Sincronicidades entre a Romênia e a Islândia

A região da Dácia, onde hoje se localiza a Romênia, foi tardiamente colonizada pelos romanos vindos sobretudo da Península Ibérica, o que explica em parte a similaridade do vocabulário romeno com o das línguas ibéricas. A Dácia permaneceu romana por cerca de 150 anos, mas, mesmo assim, os traços de latinidade se mantiveram ao longo do tempo, de tal modo que, mesmo a região tendo sido invadida por eslavos, húngaros, turcos, etc., e ficado séculos separada do restante das províncias romanas, manteve a língua latina e o nome Romênia, que remete a Roma.

Entretanto, o isolamento geográfico em relação à Europa Ocidental fez com que a Romênia só se tornasse independente do Império Otomano em 1877, constituindo uma monarquia que durou até 1947. Desde então, tornou-se uma república socialista, só abandonando esse regime em 1989.

Linguisticamente, o romeno é a mais diferente das línguas românicas e também a mais complexa, com uma série de irregularidades devidas ao seu aspecto arcaico e conservador. Grande parte de seu vocabulário vem das línguas eslavas, o que a torna muito pouco compreensível às demais línguas neolatinas.

Já a Islândia é uma ilha vulcânica colonizada no século VIII pelos vikings da Escandinávia, o que explica a familiaridade linguística entre o islandês e as línguas escandinavas. O intercâmbio comercial e cultural entre os escandinavos continentais e os islandeses foi sempre precário, o que fez a ilha se desenvolver de maneira isolada durante séculos.

A Islândia permaneceu como possessão dinamarquesa até 1918, quando se tornou uma monarquia (cujo rei, no entanto, era dinamarquês). Em 1944, foi proclamada a república, três anos antes da proclamação da república na Romênia.

Ou seja, ambos os países conquistaram sua independência há pouco mais de um século e tiveram monarquias de curta duração.

A língua islandesa é a mais distante e complexa dentre as germânicas, cheia de irregularidades e dona de um caráter bem arcaico. Seu vocabulário é todo fruto de decalques (traduções) de palavras estrangeiras. Por isso, a língua é muito pouco inteligível aos demais saxões.

Como última curiosidade, grande parte dos sobrenomes romenos termina em ‑escu, ao passo que todos os sobrenomes masculinos islandeses terminam em ‑sson e todos os femininos em ‑dóttir. Todas essas terminações significam “filho(a)”.

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