O Brasil divide-se nas regiões Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste; os EUA compõem-se das regiões Nordeste, Sul, Oeste, Meio-Oeste e Estados do Pacífico (Alasca e Havaí). Tanto os EUA quanto o Brasil são repúblicas federativas formadas de Estados (e não províncias), e as bandeiras de ambas as nações têm estrelas sobre um fundo azul representando os Estados da federação, sendo que o número de estrelas em ambas as bandeiras foi aumentando à medida que novos Estados foram surgindo.
No Brasil, a região Norte também é às vezes erroneamente chamada de Amazônia, visto que esta engloba toda a região Norte, parte do Centro-Oeste e do Nordeste, espraiando-se para fora do território brasileiro, assim como nos EUA, a região Nordeste é também por vezes indevidamente chamada de Nova Inglaterra, pois esta é a rigor apenas uma parte do Nordeste americano.
O Sul do Brasil é uma região altamente desenvolvida, com grande presença de imigrantes estrangeiros, ao passo que o Nordeste, coronelista, é a região mais atrasada e de identidade cultural mais forte. Inversamente, o nordeste dos Estados Unidos é a região mais desenvolvida, com grande contingente de imigrantes estrangeiros, enquanto o sul, de tradição escravagista e racista, é a região menos desenvolvida e também a de identidade cultural mais acentuada (sobretudo após a Guerra da Secessão). Tanto o Sul dos Estados Unidos quanto o Nordeste brasileiro são as regiões com o maior número de negros de seus respectivos países. Se o Nordeste brasileiro sempre foi dominado pelos coronéis latifundiários, o Sul americano é dominado pelos fazendeiros produtores de petróleo (um exemplo da versão americana do coronelismo pode ser visto na antiga série de TV Dallas). E se o Sul americano assistiu à guerra das famílias Hatfield e McCoy no século XIX, o Nordeste brasileiro assistiu no século XX à guerra entre as famílias Oliveira e Suassuna.
O Nordeste brasileiro e o Sul dos EUA também são as regiões mais quentes e que concentram as mais belas praias de ambos os países. E é no extremo oriental dessas duas regiões que ficam as bases de lançamento de foguetes dos dois países: Barreira do Inferno, em Parnamirim, Rio Grande do Norte, e Cabo Canaveral (ou Kennedy), Merritt Island, Flórida. Mencione-se ainda que, tanto nos EUA como no Brasil, a colonização começou pelo nordeste.
Uma curiosidade: é na região Nordeste tanto do Brasil quanto dos EUA que se localizam os dois menores estados de cada federação: Sergipe e Alagoas (Brasil) e Rhode Island e Delaware (EUA), todos eles estados muito pequenos em relação aos demais. Por outro lado, é na região Norte que está o maior estado brasileiro, o Amazonas, assim como o maior estado americano, o Alasca, também se situa no norte. E é nesses dois estados que se localizam os pontos culminantes dos dois países: o Pico da Neblina, cujo nome indígena (ianomâmi) é Yaripo, situado na Serra do Imeri, no Parque Nacional do Pico da Neblina; e o Monte McKinley, chamado pelos índios koyukon de Denali, situado na Cordilheira do Alasca, no Parque Nacional e Reserva de Denali.
Voltando a falar em Nordeste, uma figura típica dessa região do Brasil é o cangaceiro, fora da lei do início de século XX que se tornou tema da literatura e do cinema, neste tendo dado origem ao gênero “nordestern”, imitação do western americano.

Outro fato que chama a atenção é que o Brasil e os EUA têm alguns Estados cujas siglas são idênticas: AL (Alagoas/Alabama), MA (Maranhão/Massachusetts), MS (Mato Grosso do Sul/Mississippi), MT (Mato Grosso/Montana), PA (Pará/Pennsylvania), PR (Paraná/Porto Rico), SC (Santa Catarina/South Carolina). E ainda há alguma semelhança gráfica entre Santa Catarina e South Carolina, bem como entre Amazonas e Arizona.




O Centro-Oeste brasileiro e o Meio-Oeste americano, ambos de geografia física semelhante (planícies e cerrados), são regiões de desenvolvimento intermediário, com força na agropecuária.
O maior Estado brasileiro, o Amazonas (Região Norte), é dominado pela Floresta Amazônica, ao passo que o maior Estado americano, o Alasca (ao Norte dos EUA), é dominado pelo gelo. Por essa razão, ambos os Estados têm as mais baixas densidades demográficas de seus respectivos países.
Dentre os países de extensão continental (Rússia, Canadá, China, EUA, Brasil e Austrália), praticamente só Brasil e EUA têm Estados de mesmo nome que diferem pelo acréscimo de um ponto cardeal.[1] Assim, temos no Brasil o Rio Grande do Norte e o Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; nos EUA, temos Carolina do Norte e Carolina do Sul, Dakota do Norte e Dakota do Sul, Virgínia e Virgínia Ocidental.
Além disso, tanto o Brasil quanto os EUA tinham territórios federais que foram promovidos à condição de Estados: no Brasil, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá; nos EUA, Alasca e Havaí. Este último é um arquipélago no Oceano Pacífico; no Brasil, o arquipélago de Fernando de Noronha, no Oceano Atlântico, também foi anteriormente um território, com a diferença de que não foi elevado à condição de Estado e sim anexado ao Estado de Pernambuco.

Nem Washington, DC, nem Brasília–DF, as capitais federais, são as maiores cidades de seus respectivos países, embora estejam entre as mais populosas. E ambas as cidades foram projetadas para ser capitais. A capital americana foi projetada por Pierre L’Enfant, e a brasileira por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Ambas as cidades são coextensivas aos respectivos distritos federais, e em ambos os casos, embora se trate de uma única unidade administrativa, esses distritos englobam várias pequenas cidades do entorno das capitais.



São Paulo (a “Terra da Garoa” ou “a cidade que nunca para”) rivaliza com Nova York (a Big Apple ou “a cidade que nunca dorme”) como a capital financeira, gastronômica e da moda, além de serem as duas mais populosas e importantes cidades de seus respectivos países — e terem muito em comum, como a presença maciça de colônias de imigrantes, que caracterizam certos bairros, como os italianos no Bexiga e em Little Italy ou os orientais na Liberdade e em Chinatown. Aliás, tanto São Paulo quanto Nova York têm bairros cujo sotaque é tipicamente influenciado pelos imigrantes italianos. Trata-se da Mooca, em São Paulo, e do Brooklyn, em Nova York.
Nova York e São Paulo também têm, cada uma, a sua “rua dos teatros”: Broadway e Brigadeiro. E também sua esquina famosa: Sétima Avenida com Broadway (isto é, Times Square, a esquina mais famosa dos Estados Unidos — e do mundo) e Ipiranga com São João (a esquina mais famosa do Brasil e do Hemisfério Sul).
São Paulo teve sua cracolândia, no entorno da Rua Helvetia, centro da cidade; Nova York já teve uma, no Bryant Park, Manhattan. Nova York é a sede da NYSE (New York Stock Exchange), a maior bolsa de valores do mundo, enquanto São Paulo sedia a Bovespa, atual B3 (Bolsa de Valores do Estado de São Paulo), a mais importante da América Latina e do Hemisfério Sul, de tal modo que seus endereços (Wall Street e Rua Boa Vista) se tornaram sinônimos de poder econômico.
Em 2020, durante a pandemia de covid-19, EUA e Brasil foram os dois países com maior número de casos da doença e de mortes, e Nova York e São Paulo foram as duas cidades mais afetadas no mundo. No início de 2021, o Rio de Janeiro ultrapassou São Paulo em número de mortes pela doença, ao mesmo tempo que a Califórnia ultrapassou Nova York.



Finalmente, ambas as cidades são cortadas por rios importantes (Hudson e Tietê).
Reparem agora o mapa abaixo. Ele mostra as regiões que, juntas, reúnem metade da população do planeta. Como se pode ver, esse contingente humano está concentrado fundamentalmente no Oriente (especialmente Índia, China e Indonésia), na Europa ocidental (especialmente os países que aqui chamo de “centrais”: França, Reino Unido, Itália e Alemanha) e em torno aos Estados de São Paulo e Nova York: temos uma conurbação ligando os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro e outra que vai de Nova York a Washington — a chamada “megalópole”.

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[1] O México, que tem os Estados da Baixa Califórnia e Baixa Califórnia do Sul, não está entre os países de grande extensão territorial; a Austrália tem Nova Gales do Sul (mas não há uma Nova Gales do Norte). Além disso, em todos os demais aspectos, nem o México nem a Austrália apresentam simetrias com o Brasil ou os Estados Unidos.