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A LEI DOS GRANDES NÚMEROS

Segundo a lei dos grandes números, num universo muito grande, mesmo um evento que tenha pouca probabilidade de ocorrer acaba ocorrendo muitas vezes. Mas a probabilidade estatística de dois fatos linguísticos ou culturais sincrônicos ocorrerem é relativamente pequena porque não há muitas línguas ou nações no mundo. Além disso, essas coincidências ocorreriam — e ocorrem — entre quaisquer duas línguas ou nações. Já o espelhamento é um conjunto de coincidências envolvendo dois países — sempre os mesmos dois — num universo onde a lei dos grandes números não se aplica. Reis da França e da Inglaterra subiram ao trono simultaneamente um número de vezes alto demais em relação à duração histórica desses dois países, por exemplo.

Uma crítica que costumeiramente se faz à identificação de padrões onde eles supostamente não existem é o chamado viés de confirmação, isto é, a tendência que temos de só considerar os acertos (hits) e ignorar os erros (misses).

Se a língua e a sociedade são sistemas caóticos, a presença de hits deveria permanecer dentro da margem probabilística. Mesmo que, em qualquer sistema caótico, haja mais misses do que hits, a simples ocorrência de hits em nível superior ao estatisticamente esperado é significativa.

A língua e a sociedade são sistemas caóticos. Um exemplo de sistema caótico é a areia: quanto mais nela se remexe, mais igual ela fica a si mesma. Isso significa que, se após uma remexida, surge na areia uma figura identificável (por exemplo, um rosto), isso pode não ser mais do que mera coincidência, isto é, fruto do acaso. Mas, se remexo a areia de novo e novamente surge um rosto (ou um cavalo, ou o mapa do Brasil), teria que considerar isso como muita coincidência. No entanto, se remexo pela terceira vez e novamente uma figura conhecida surge, então não é mais coincidência, existe uma lei por trás disso.

Por exemplo, a probabilidade de duas pessoas nascerem no mesmo dia é de 1/31; no mesmo mês, é de 1/12. A probabilidade de duas pessoas nascerem no mesmo dia e mês é de 1/31 × 1/12 = 1/372. Supondo uma expectativa de vida média de 75 anos, a probabilidade de duas pessoas vivas terem nascido no mesmo dia, mês e ano é de 1/372 × 1/75 = 1/27.900. A probabilidade de que, além de tudo isso, sejam do mesmo sexo e etnia, tenham nascido na mesma cidade, tenham o mesmo nome, etc., tende ao infinitamente pequeno.

Embora um número muito grande de coincidências não seja matematicamente impossível, casos como o da coincidência Lincoln–Kennedy são embaraçosos porque não há notícia de uma escala gradual intermediária, isto é, de pessoas célebres ligadas por uma, duas, três coincidências e de pessoas ligadas por 20 ou mais, como é o caso dos dois presidentes americanos.

Caos, casualidade e sincronicidade

Casual é o efeito sem causa, talvez só possível ao nível quântico (talvez nem ao nível quântico — particularmente desconfio da possibilidade de qualquer coisa acontecer sem uma causa), imprevisível a qualquer observador, em si.

Caótico é o efeito de um conjunto muito complexo de causas, portanto imprevisível a nós, mas não imprevisível em si, ou seja, existe algum observador a quem o evento não é imprevisível. Por exemplo, o resultado de um lance de dados só é imprevisível porque não temos como calcular a massa do dado, sua posição inicial, a intensidade e direção da força com que foi lançado, sua distância até a mesa, etc. Se todas essas informações fossem disponíveis, uma equação matemática prediria com exatidão a face que cairá para cima.

Quando escolho uma camisa para vestir, minha escolha não é casual, é caótica, pois não tenho consciência das motivações dessa escolha (a não ser em ocasiões óbvias), mas elas existem no meu inconsciente.

A evolução das sociedades e de suas línguas pode conduzir a convergências e paralelismos que não são casuais. Se eles ocorrem em número superior ao que seria esperável estatisticamente e, além disso, seguem um padrão, então há conexão entre eles, embora sua natureza caótica (isto é, extremamente complexa, por envolver um sem-número de variáveis) não nos permita saber qual é a lei que os rege.

Se compararmos latinos e eslavos, ou germanos e eslavos, ou árabes e judeus, ou indianos e paquistaneses, ou chineses e japoneses, etc., não chegaremos a conclusão alguma, exceto a identificação de algum parentesco. As analogias sistemáticas só se verificam num lugar do planeta: na Europa Ocidental e na América, entre latinos e germanos. Ora, se tais coincidências fossem fortuitas (casuais ou caóticas), não aconteceriam em tão grande número; por outro lado, se tivessem causa natural, racionalmente explicável, ocorreriam de forma regular em todo o mundo. Eis por que as supersincronicidades não podem ser explicadas como obra do acaso nem de fenômenos “naturais” (históricos, sociais, biológicos, etc.) — pelo menos até o presente momento.

A teoria da sincronicidade mais a “teoria” do crer para ver, muito evocada pelos gurus da autoajuda, segundo a qual a mente cria a realidade (cf. Jesus, Buda, programação neurolinguística, Humberto Maturana, Amit Goswami, estratégia Disney, etc.), que pode ter, por sinal, uma explicação ao nível quântico (mas creio que ainda não chegamos a ela, pois trata-se de um terreno onde ciência e pseudociência se misturam com muita facilidade), talvez explique o fenômeno da especularidade România–Germânia. Talvez o desejo inconsciente dos germanos de ser como os romanos tenha feito daqueles um “clone” destes. Mas as simetrias geográficas nos levam a crer que a Europa e a América já estavam preparadas para essa simetria entes mesmo de romanos e germanos entrarem em cena. Seria algo como o futuro criando o passado.

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