Em relação ao Novo Mundo, os geógrafos costumam dividir as Américas em do Norte, Central e do Sul, mas, geologicamente, há apenas duas massas continentais, separadas pela fronteira entre Panamá e Colômbia. Por isso, tratarei aqui como América Setentrional a todo o conjunto formado pelas Américas Central e do Norte e como América Meridional a América do Sul.
De modo geral, a América Meridional é predominantemente latina (os únicos países de línguas germânicas são a Guiana, o Suriname, Aruba, Antilhas Holandesas e Trinidad e Tobago). Já a América Setentrional é predominantemente anglo-saxônica, pois, malgrado o México e o grande número de países de língua espanhola ou francesa no Caribe, os maiores territórios correspondem a países de línguas saxônicas, como os Estados Unidos e a porção de língua inglesa do Canadá, além de diversas ilhas, como Jamaica, Bahamas e Bermudas, nas quais se fala inglês, e Groenlândia, em que se fala dinamarquês.
A América foi colonizada por três nações latinas (Portugal, Espanha e França) e três saxônicas (Inglaterra, Holanda e Dinamarca). Embora as colônias de cada uma das nações latinas não se corresponda exatamente com as das nações germânicas, podemos encontrar uma série de paralelos geográficos entre Argentina e Canadá (países extensos e frios, com extremidades polares, pouco habitados e com população predominantemente branca, concentrada em poucas cidades, compostos de províncias e não Estados, etc.), assim como entre o Brasil e os Estados Unidos.
Como as correspondências que fundamentam o fenômeno da supersincronicidade não se baseiam propriamente em Estados e sim em povos, definidos por sua “nacionalidade” em sentido étnico e não político, temos de considerar a província canadense do Quebec como outra nação, distinta do Canadá britânico (há, por sinal, um movimento separatista na região chamado Quebec Livre, que pode, em tese, fazer dessa província um país independente). Em contrapartida, o Uruguai foi de 1820 a 1828 uma província do Brasil, a província Cisplatina. Ou seja, o Brasil já foi um país bilíngue.



Particularmente entre o Brasil (que já se chamou Estados Unidos do Brasil) e os Estados Unidos da América há muitas analogias históricas, políticas e territoriais, a começar pelo fato de ambos serem as principais potências econômicas e geopolíticas de seus respectivos continentes. Os Estados Unidos e o Brasil têm, respectivamente, o quarto e o quinto maior território em termos mundiais; o Brasil tem atualmente cerca de 200 milhões de habitantes, e os Estados Unidos, aproximadamente 300 milhões.
Etnicamente, o Brasil tem 43% de cidadãos brancos, 45% de pardos, 10% de negros, 0,6% de índios e 0,4% de amarelos. Os EUA têm 60% de brancos, 12% de negros, 10% de pardos, 6% de amarelos e 1% de índios. Como ocorre com os habitantes de muitos países, os brasileiros e os americanos também têm um apelido: respectivamente, tupiniquim, nome indígena que significa “vizinho do lado”, e ianque, igualmente nome indígena significando “homem branco”.
Basta comparar os extensos e variados territórios desses dois países para encontrar semelhanças entre as cataratas do Iguaçu (entre Brasil e Argentina) e as do Niágara (entre Estados Unidos e Canadá), entre a Chapada Diamantina (Bahia) e o Grand Canyon (Arizona), o Rio São Francisco e suas famosas gaiolas com as igualmente famosas gaiolas do Rio Mississippi, o sertão brasileiro com o deserto americano, e assim por diante. E se temos o maior rio (Amazonas-Solimões) e a maior floresta (Amazônica) que dividimos com países vizinhos, os EUA tem os maiores lagos (os Grandes Lagos), que dividem com o Canadá, e o segundo maior rio (Mississippi-Missouri). Por outro lado, também temos nossos grandes lagos: o Lago Guaíba, a Lagoa dos Patos, a Lagoa Mangueira e a Lagoa Mirim (RS). Esta última dividimos com o Uruguai, e as três outras ficam próximas dela.












