Por Pérola Goretti Sichero Dulcetti
(Disponível em perolagoretti.blogspot.com.br/2015/06/psicologiafisica-quantica.html)
Bióloga, psicóloga, Mestre em Ciências da Religião pela PUC-SP. Depois de mais de 30 anos de estudos e clínica, desenvolveu teorias psicológicas que se unem com a biologia. Também atende na clínica de psicologia, dá cursos e palestras.
A Sincronicidade, conceito desenvolvido por Carl G. Jung, em um de seus últimos trabalhos: “Sincronicidade: Um princípio de conexões acausais”.
A teoria da sincronicidade tenta explicar situações que não possuem causas aparentes e sem conexões, que acontecem simultaneamente entre indivíduos sem relação entre si, ou situações anômalas.
Por exemplo: descobertas científicas que ocorrem ao mesmo tempo em países diferentes, sem que os cientistas tivessem contato algum. Ou, quando uma pessoa pensa em outra e a vê passar na rua, ou ainda, esta pessoa aparece de visita. Vários são os exemplos de sincronicidade, podendo acontecer de forma atemporal, ou até mesmo, eventos enérgicos acausais (sem causa).
A sincronicidade não é um evento de coincidência, pois, não corresponde às leis da probabilidade e apresenta um padrão subjacente, dinâmico, significativo para as pessoas envolvidas. Então, a sincronicidade pode ter um efeito revelador para os envolvidos pelo fenômeno, levando o indivíduo a atingir um patamar maior da consciência, chegando ao autoconhecimento, como Jung chamava: individuação.
Na ocorrência de integração do indivíduo como um todo, entre o inconsciente coletivo, o inconsciente individual, os arquétipos e o próprio ego, ou seja, o indivíduo chega a sua plenitude, entre si e o universo (ou, se preferir, Deus).
Jung teve contato com o físico Wolfgang Pauli, que juntos começaram a associar as disciplinas, a física e a psicologia.
Com a sua teoria sobre a sincronicidade e afiliação com Pauli, Jung sugere que o Homem pode alterar sua realidade, pode controlar os eventos de sua vida.
Na época que Jung se deparou com esses fenômenos, não havia parâmetros de pesquisas científicas, para se comprovar esses acontecimentos.
No entanto, pesquisadores posteriores levaram adiante as pesquisas de que há possibilidade de o Homem influenciar os eventos.
Entre eles, pode-se citar Massaru Emoto, que realiza experimentos com as moléculas d’água. Ele observa que as emoções que os voluntários emitem sobre a água provocam mudanças moleculares d’água evidentes e completas dependendo da emoção emitida.
As pesquisas de Dean Radin e colaboradores também comprovam que a mente humana pode interferir na matéria e modificar a realidade. Ele realiza experiências com indivíduos e com eventos de massa. Em ambos os casos há indícios de que os sujeitos estão interligados, e quando um grande número de pessoas se concentra em um único evento, os acontecimentos podem tomar outro rumo.
Os estudos de Bill Tiller caminham, também, por essa estrada, estuda principalmente a consciência e os seus efeitos na realidade, como já se sabe.
Os cientistas mais tradicionais acreditam que a consciência é um subproduto do cérebro. Porém, segundo os pesquisadores supracitados que avançaram ainda mais no tema proposto afirmam que a consciência é algo mais abrangente e se manifesta além do cérebro, ou seja, não é um produto cerebral. O que ela realmente é, e de onde provém, ainda está no nível das especulações.
Porém, esses trabalhos comprovam que, seja ela o que for, tem influência na realidade imediata e na futura.
Assim, a grande pergunta é: se a mente humana pode alterar a matéria e transformar inclusive a realidade, por que não se tem domínio sobre as condições em que se vive? Por que há sofrimento, não se consegue melhorar o próprio Mundo?
A resposta: A Humanidade como espécie se encontra em um nível de desenvolvimento ainda precoce. Para se ter uma ideia da “juventude” da humanidade, o Homo sapiens existe há mais ou menos 170 mil anos, os dinossauros viveram 300 milhões de anos.
O estágio atual da humanidade talvez seja comparado com a fase da adolescência, não se pode generalizar essa afirmação, nem considerar como sendo uma verdade absoluta. Mas, ao se analisar o comportamento adolescente, se encontram muitos pontos em comum. O adolescente ainda não atingiu o seu ponto máximo de desenvolvimento psicológico. A adolescência é uma fase de crises, que se procura aceitação do grupo etário a que pertence, divide o seu mundo entre o positivo e negativo, se rebela contra a autoridade vigente (pais, professores, e figuras de poder), no entanto procura a aceitação dos mesmos, ou seja, é dicotômico em quase tudo o que faz, pois, tenta definir seu ego, como algo separado do mundo exterior, por isso sofre tantas crises de identidade.
A humanidade como grupo não tomou posse da consciência e de seus potenciais. Assim, ainda não tem o arcabouço psicológico para alterar o seu meio, conscientemente para melhor. Ainda não desenvolveu um modelo político, ambiental, religioso, social capaz de suprir a todos.
De certa forma a Humanidade sofre as mesmas questões elementares dos adolescentes, ainda separa o mundo entre estruturas políticas, uma religião da outra, níveis sociais, etc. Ela não consegue discernir que todos pertencem a uma mesma espécie, com as mesmas necessidades inerentes a todos, como amar, ser amado, ser aceito, como também, não consegue perceber a unidade da espécie, e a individualidade de cada um dentro dessa mesma unidade.
Como vários textos ditos sagrados e Hermes Trimegisto afirmam: “O que está acima é semelhante ao que está embaixo”, afirmação que tem a representação no símbolo da “Estrela de David”, onde aparecem dois triângulos superpostos.

Já os alquimistas afirmam: o Microcosmo contém o Macrocosmo, os dois são um só.
Como Jung, Neumann, Mira y Lopez afirmaram, a ontogênese acompanha e reflete a filogênese, isso quer dizer que o desenvolvimento individual reflete o desenvolvimento da espécie e vice-versa. Ou seja, ambos, o indivíduo e a humanidade passam pelos mesmos estágios de desenvolvimento.
Alguns indivíduos atingiram esses potenciais, e cada um que atinge esse nível de consciência, “puxa” os outros para um outro patamar de consciência, isso acontece devido ao inconsciente coletivo, nele todos os seres estão conectados.
Assim, se cada um se conscientizar do seu potencial e se apoderar da sua consciência, estará beneficiando não só a si mesmo, mas, toda humanidade.
Levando-se isso em consideração, é uma questão de tempo que todos estejam no mesmo patamar de conscientização.
Referências Bibliográficas
EMOTO, Masaru. www.masaru-emoto.net.
JUNG, Carl G. Sincronicidade: Um princípio de conexões acausais. São Paulo: Vozes, 2011.
NEUMANN, Erich. História da origem da consciência. São Paulo: Cultrix, 2010.
MIRA y LOPEZ, Emilio. Cuatro gigantes del alma. Buenos Aires: Lidiun, s/a.
RADIN, Dean; COLLINS, Harper. The conscious universe: The scientific truth of psychic phenomena. Estados Unidos: 1997.
TILLER, Bill. www.tillernstitute.com.