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CAUSALIDADE, ACASO, COINCIDÊNCIA E SINCRONICIDADE

Por Júlio Springer Pitanga

(Disponível em www.oocities.org/matibhadra/forum/portugues/010.htm)

Discute-se se os fenômenos são produzidos de modo causal ou de modo casual, isto é, por acaso — definido este como um conjunto de causas imprevisíveis e independentes entre si.

No entanto, embora a requerida imprevisibilidade das causas de um fenômeno numa assim chamada produção casual possa ocorrer com relação a um determinado observador e sob determinadas condições, não há evidência de que deva ocorrer com relação a qualquer observador ou sob quaisquer condições. Assim, à própria definição de acaso subjaz a assunção injustificada de um limite à cognoscibilidade das causas do fenômeno produzido.

Também, embora a dependência recíproca das causas de um fenômeno numa assim chamada produção casual possa não ser observada por um determinado observador sob determinadas condições, não há evidência de que nunca possa ser observada por qualquer observador ou sob quaisquer condições. Assim, novamente, à própria definição de acaso subjaz esta outra assunção injustificada, de onisciência por parte de quem o afirma.

Noutros termos, a própria ideia de produção casual requer duas assunções injustificadas e, aliás, reciprocamente contraditórias, uma de limite à cognoscibilidade e outra de onisciência — as quais, eliminadas, eliminam a própria possibilidade de casualidade, como acima definida. Pode-se, decerto, falar de um conjunto de causas não previstas e cuja dependência recíproca não é observada, por determinado observador e sob determinadas condições — mas as limitações cognitivas circunstanciais desse observador não transformam uma produção causal nesta quimera denominada produção casual, ou por acaso.

“Coincidência”, por seu turno, é termo neutro, que não denota nem acaso nem causalidade, mas simplesmente descreve dois ou mais fatos (incidências) de algum modo relacionados a determinada circunstância comum. No entanto, a expressão “mera coincidência”, ao excluir a possibilidade de dependência recíproca entre fenômenos, está contaminada pela mesma assunção injustificada, de onisciência por parte de quem a exprime, que aflige a noção de acaso.

E, por fim, a noção de sincronicidade, proposta por pelo psicólogo suíço C. G. Jung como alternativa às noções de causalidade e acaso, é confessadamente um reconhecimento da interdependência de eventos objetivos e subjetivos, sem explicitação da natureza dessa interdependência. Et pour cause, já que interdependência entre fenômenos não é senão outro nome para causalidade, razão pela qual a proposta sincronicidade não escapa à noção de causalidade que pretende repudiar.

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